F.I.M.

Terceiro

Lt. Alain Dumas dizia a placa na porta.

Aquele era um rapaz que tinha subido rápido nos escalões do exército. Bom em obedecer ordens e em improviso, era uma jóia rara. Passou rápido pelo curso de engenharia eletromecânica e seguiu direto para o treinamento da EDF, sendo destacado ao final para operações de elite. Ele tinha morais e princípios por ter sido criado a moda antiga, mesmo após o fim do mundo.

Nasceu numa fazenda nas cercanias de Saint-Jérôme, perto de Montreal, na província de Québec. Seus pais perderam a fazenda na época do incidente e, como todos em volta, tiveram que buscar abrigo na cidade subterrânea de Montreal. Perderam a fazenda, mas não os valores. Fizeram-se úteis na cidade e conseguiram criar os filhos e agora tinham um rebento galgando rapidamente os degraus do poder militar. A produção de alimentos logo seria totalmente apropriada e reestruturada pela EDF para escolher zonas menos propícias a impactos e garantir que não faltem alimentos. Eles tinham esperança de voltar a campos marrons de terra pronta para gerar o pontilhado verde de brotos colorindo a paisagem, com seu filho lá dentro. Eles nunca pediram isso a ele, mas a esperança nunca sumia. Pena que nesse mundo em que não existem mais estações pela perda da lua, não adiantava esperar que pessoas pudessem plantar de novo, não havia esperança de um verão e muito menos de uma Lua da Colheita. Plantar seria agora das máquinas e estufas.

Montreal não teve dificuldades em se tornar uma capital após o evento. Sua tradição em esquivar-se do clima cavando para dentro da Terra foi uma vantagem inesperada. A população estava se adaptando rápido e a pouca incidência de meteoros ajudava bastante. A cidade estado estava em franca expansão e o governador local não se acanhava ao discutir com representantes da EDF, que, diplomaticamente, agiam como mafiosos exigindo pagamento em troca de proteção.

O tenente A. Dumas foi promovido a ter a sua própria divisão no MC. Uma divisão pequena, mas incrivelmente eficiente. Dumas tinha orgulho do que fazia. A imagem de seu pai orgulhoso na sua formatura invariavelmente lhe trazia um sorriso aos lábios. Ele coordenava os turnos dos operadores das baterias anti aéreas e pessoalmente pilotava remotamente os drones Kamikazes utilizados para destruir asteroides maiores ou de rota errática.

Foi numa noite gelada de janeiro que recebeu a ligação que mudaria sua vida.

“Alô? Tenente Dumas? Boa noite, sou Iason Galatas, já deve ter ouvido falar de mim, ha ha!” Algo no tom da voz dele disse a Dumas que essa ligação não era para congratular seu desempenho perfeito ou seu penteado estiloso, especialmente por ser no seu telefone pessoal “Apenas me escute e não me interrompa: estamos conversando numa ligação criptografada e eu não tenho tempo a perder. Estive lendo uns relatórios e vi que existe uma pedrinha classe 3 que deve cair hoje bem no centro de Montreal. Você deve dar um comando de desativação no computador de mira e resposta automática e deixar a pedra passar, você é o único de plantão hoje pela escala, correto? A essa altura você deve saber que uma pedra classe 3 não vai fazer muito estrago, apenas o suficiente para dar um sustinho naquele governador de merda, ha ha. Eu já estou providenciando um relatório que vai justificar a falha do sistema de defesa por falta de recursos para manutenção e despesas, o que vai livrar sua cara e mostrar que o MC é um seguro que vale a pena ser adquirido, não concorda?” Alain grunhiu algo em resposta que não saberia repetir hoje e a ligação ficou muda.

Ele estava pálido. Teve que se escorar para não cair no chão e sentou-se numa cadeira de comando. Esse não era o mundo dele, o mundo que ele foi criado era de pessoas decentes, que tinham orgulho no seu trabalho. Ele tinha apenas vinte e dois anos. Lentamente ele foi recuperando a respiração e o sangue foi voltando ao cérebro. Estava rapidamente pesando os prós e contras. Ele sabia que existia uma campanha na cidade para romper laços com o EDF e não entendia bem o porque, mas cada um com sua opinião dizia sua mãe. Ele sabia que o que fazia era bom e tinha um propósito, mas chegar nesse ponto para convencer as pessoas disso? Ele nunca foi burro e sabia que obedecer era uma garantia de um futuro brilhante na EDF ainda mais sendo uma ordem direta do secretário geral! Aliás CEO, uma reunião geral tinha mudado o título no último ano por aclamação e Alain não tinha se acostumado. Também não entendia qual a diferença.

A hora estava chegando. Ele deu o comando. O computador foi dormir e os controles manuais piscaram, acesos. Ele viu o ponto luminoso no céu. A pedra estava em reentrada e o ponto de impacto coincidia com a abóbada central de Montreal, por onde entrava iluminação natural. Era feita de um material resistente, mas com certeza não resistiria a um impacto direto. A pedra descia flamejante e ele via, abobalhado. Sem perceber suas mãos estavam no manche e a mira no centro da rocha, seguindo seu costume diário e não precisando de um córtex frontal para guiá-las. Lembrou-se novamente da imagem do sorriso de orgulho rasgado na face de seu pai e seu dedo apertou o botão. O pequeno meteoro explodiu em mil pedaços. Foi perto demais. Os vidros reforçados da abóbada fragmentaram-se com a onda de choque e uma chuva de vidro caiu nos cidadãos abaixo. Alain sabia o que isso significava e correu e fugiu e se escondeu.

O que se seguiu depois vinha em flashes depois dos seus episódios de bebedeira. As noticias de sua falha. A EDF na figura do seu presidente pedindo desculpas formais e explicando que estava fazendo o possível com tão poucos recursos e que se houvesse mais pessoal treinado uma falha dessas não teria ocorrido. O governador de Montreal fazia discursos inflamados e dizia que pela lei pediria a pena máxima de prisão perpétua. A mídia atormentou seus pais. A vergonha o fez nunca os procurar.

Ele rumou até um porto no Maine e entrou num cargueiro seguindo para a China.

Em Xin-Xangai, Arthur Deckard tinha um celular que provava a inocência de Alain Dumas. Ele só precisava descobrir como fazer isso sem ser morto…

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Segundo

Era bom trabalhar na fábrica de celulares. Éramos uma força de apoio às máquinas que faziam o trabalho de verdade. Nossa função era cuidar que as belas filhas da eletromecânica não se machucassem fazendo seu balé elétrico. Na sua dança diária peças e peças de plástico e metal se uniam a filetes de ouro e platina compondo telas e circuitos para adornar e informar a emergente e decadente Xin-Xangai.

Eu adorava o cheiro. Plástico e solda. O barulho ritmado era uma canção de ninar.

Os celulares eram fundamentais na Wok. Você conversava, interagia com a Rede, e usava sua carteira. Nosso pagamento era em créditos, moeda corrente foi abolida na crise de 2029. Os aparelhos eram integrados a biometria do usuário. Tem telas flexíveis que dobram e prendem no pulso como um bracelete fino. As pontas tem ímãs de neodímio de alta potência que só abrem com código. Os melhores modelos inclusive monitoram a saúde do usuário e chamam apoio médico. Para os ricos, claro. O efeito colateral dessa tecnologia é que hoje em dia um assalto acaba virando sequestro. Há bens que vem para o mal.

Minha parceira no trabalho era uma montadora modelo RC-14 série 204498BF84h. Eu chamo ela de Roll, pelo jeito como seus braços giram. Ninguém sabe. Um dia meu chefe quase me pegou cheirando ela. Saudades de tempos melhores.

O ocaso anuncia o fim do expediente. Despeço-me de Roll e vou procurar algo para beber. Minha alegria nestes dias sempre está afundada num mar de sakê. Passo a passo caminho pelas vielas do nível 4, nem Roll poderia ser tão mecânica. Chego numa lanchonete sem nome que o dono me conhece pelo nome. “O de sempre?” Vem um rámen de vegetais (estou de dieta) e uma garrafa de sakê dourado. Olho longamente para a tigela esperando a piada de sempre do dono. Um estrangeiro das américas, tomando bebida japonesa numa birosca chinesa. Ha ha, risada obrigatória. Um dia eu chamava todos os asiáticos de chineses e hoje sou chamado de americano vindo do Canadá. Ha ha, irônico.

Já estou bêbado quando soa a sirene. Engraçado como as sirenes são praticamente iguais no mundo inteiro. Não tive muito tempo de pensar se era de propósito quando o dono me chutava para fora e fechava seu restaurante. Lutei avidamente para levar a garrafa comigo. Ele não iria me alijar nem de um dedo de delicioso sakê. Uma chuva de meteoros se aproximada. Não sei por que tanta confusão, as pessoas tinham medo demais. Ainda mais aqui com esse enorme escudo por suas cabeças. Ouvi dizer que os alemães são mais corajosos, confiam completamente no Missile Command, ou MC, carinhosamente. Nossa tecnologia antiaérea não só detecta, como desvia e destrói os meteoros maiores. E, aqui, se tudo mais falhar, ainda tem um enorme escudo! Frouxos…

Deve ser por causa desses frouxos que estou nesta merda de vida. Falhar enquanto você trabalha para o MC é falta grave. A EDF não perdoa, Iason Galatas não perdoa. Ainda mais quando você salva algum lugar que ele queria destruído.

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Primeiro

Acordei com o sol aquecendo minha face. O calor era palpável. Apertei o travesseiro contra minhas orelhas para suavizar o maldito canto dos galos. Os pássaros acordavam suas crias com uma bela refeição de minhocas. Abri os olhos um pouco e após terminar de ser cegado pela luz ofuscante vi o céu azul e as nuvens que passavam lentamente a reboque dos ventos.

“關閉那東西!”, era minha colega de quarto Xiao Mei mandando eu desligar a janela. Ela era uma chinesinha alta de 1,60m² com cabelos curtos e pretos e iridescentes como poças de óleo. Seria bonita se não tivesse a voz e a personalidade de uma cacatua. Difícil dividir uma unidade habitacional de 30m² com mais quatro pessoas…

Desliguei a tela e fui me arrumar para o trabalho. O cheiro de gente junta é bem enjoativo, ainda bem que dá para se acostumar. O sistema de oxigenação / exaustão é suficiente para não morrermos sufocados na caixa sem janelas que morávamos, mas não o bastante para eliminar os cheiros. Tomei banho, fiz a barba, escovei os dentes e agradeci por meus colegas de quarto não serem tão afeitos a higiene como eu. O sanitário era meu templo, meus poucos minutos de privacidade possíveis. Mei entrou, abaixou a calcinha e começou a urinar sem cerimônia, era minha deixa para ir trabalhar.

Saí pela porta da frente e deixei a esteira me levar. Usava uma camisa pólo azul desbotada e um crachá eletrônico que alternava entre meu nome e número identificador. Arthur D., montador. Os nomes de família estavam desaparecendo aqui na China. Sua família era o estado. Parte das medidas para facilitar o convívio já que éramos dois bilhões apinhados nessa cidade. Quando os fragmentos da Lua começaram a cair e os campos ficaram inabitáveis pela poeira e impactos, os dirigentes do partido não perderam tempo em acabar com a propriedade privada. Olhei para cima vendo as dezenas de níveis intercalados e entrecruzados por passarelas e vias, um emaranhado de veias que bombeiam pessoas pela cidade. Vejo apenas pequenos trechos da abóbada que nos guarda, emoldurada pelas negras hastes. Chineses e sua megalomaníaca engenharia. Nosso teto era até visto do espaço, diziam; evitava as tempestades de poeira e tinha um sistema de amortecimento que conseguia aparar os meteoritos distribuindo o peso e dissipando a energia. Seu melhor aspecto, entretanto, era prover Xin-Xangai de seu carinhoso apelido: a Grande Wok.

Estava chegando no trabalho e isso era bom. Chega de devanear e lembrar de ter conhecimentos que não deveria ter. Hora de ocupar a mente e esquecer do passado. Esquecer do meu primeiro nome e da vida que tive antes de morrer.

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Intervalo Lunar

O ar gritava energicamente ao ser cortado pelas asas de alumínio do seu AF-23. A vibração percorria toda a aeronave e uma pessoa qualquer poderia pensar que tudo se faria em pedaços em segundos, mas o tenente-coronel Gibson estava longe de ser uma pessoa qualquer.
“Ok, Bill, pode trazer o bichinho de volta, já temos os dados de que precisamos”, era Bob Parsons, o engenheiro chefe.
Gibson pousou o veículo com a leveza esperada e foi direto ao hangar 13. Bob já o esperava com um relatório preliminar.
“Certo, muito bom, bom mesmo. Acredito que sendo lançado das costas do SR você consiga cumprir a missão no tempo esperado”. Gibson acenou com a cabeça e foi para o quarto dos oficiais. Deitou ainda de uniforme compressivo, com as mãos atrás da cabeça encarando o teto. Gostava da compressão das meias em suas pernas, sentia que vinha mais sangue em sua cabeça e que conseguia pensar melhor desta forma. No lado em que sua cama encontrava com a parede, bem ao nível dos olhos, tinha colocado a foto de Maureen e das crianças. Ele sabia que estava fazendo tudo por eles. Nesse momento, Gibson, o homem mais duro da força aérea americana e escolhido como melhor piloto/astronauta mundial pela EDF sentiu seus olhos marejarem. Era um cisco, com certeza.

“2022, o ano que fizemos contato, mas tinha que ser contato com a porra de um asteróide?” Riu a tenente Ramanujan, sem conseguir disfarçar seu nervosismo. Havia três anos que os astrônomos calcularam a rota do asteroide Shiva acertando bem na nossa bela rota elíptica ao redor do sol. Sri Ramanujan era física nuclear de formação e lutava para o desarmamento nuclear das potências. É, no mínimo, irônico pensar que todo esse material nuclear seria a esperança de vida na Terra.
“Tenente Ramanujan,” disse Gibson, “espero que esteja pronta. Lançamento programado para a próxima semana.”
“Não precisa me lembrar. Um dia, antes de terminarmos nossas existências coronel Gibson, eu gostaria de ver um sorriso seu”
“Apenas esteja pronta” grunhiu Bill por entre os dentes “Só temos essa chance”
A Earth Defense Force contava com eles. Durante esses três anos em que o asteroide apenas crescia no horizonte, as melhores mentes da Terra calcularam um jeito de destruir o destruidor. Após um longo e exaustivo acordo mundial, que custou tempo precioso e soluções mais simples, ficou acordada a eliminação do corpo celeste. O tempo desperdiçado impedia um simples desvio de rota do objeto, então ele teria de ser eliminado, e eliminado tão completamente que nenhum fragmento grande o suficiente para causar danos na terra passasse.
O número mágico era 30 trilhões. Uma explosão que gerasse “apenas” 30 trilhões de megatons. Nações relutaram bastante mas contribuíram com mentes e bombas. O resultado de tanto esforço foi embutido nas entranhas do AF-23. Uma bomba atômica ressonante. Um alinhamento das explosões que gerasse um reforço quântico no campo de probabilidades produzindo uma sinfonia dançante de átomos loucos para dividir seus segredos com o mundo.
Os tempo passou arrastado, lento, como se não quisesse revelar o que já sabia. Gibson e Sri faziam checagens, treinos rotinas. O mundo já tinha se acostumado. As pessoas sabiam que alguém estava resolvendo o problema e depois dos primeiros dias pararam de se preocupar. O ser humano se habitua à tudo, até mesmo à sua extinção iminente.
Além dos múltiplos centros de estudo e treinamento da EDF, havia ainda uma base lunar. Ninguém sabia ao certo o que se fazia lá. Os teóricos da conspiração achavam que era uma colônia de sobreviventes caso tudo falhasse, mas quem estava trabalhando na EDF não se satisfazia com uma resposta tão simples.
Gibson se aconchegou no cockpit, Ramanujan atrás dele, costas com costas, mexia nervosamente no computador, agradecendo secretamente aos engenheiros por não poder ver a frente da aeronave. Já sobrevoavam a linha do equador, acoplados num SR-71 antigo, uma nave confiável e que poderia os deixar bem próximos do espaço para sua viagem sem volta. Gibson abraçou o manche com suas mãos, disparou os foguetes e partiu rumo a seu destino. Não o seu, original, mas um dado a ele pelo mundo. A foto estava presa no painel e caiu quando a fita adesiva descolou. Sentindo a força da gravidade e o peso sobre seus ombro que ainda era maior, Bill viu o azul desaparecer aos poucos e o negro do espaço enchia seus olhos com um vazio maior que tudo.
Bill espiralava e sentia a leveza da falta de gravidade tomar seu corpo. Ainda ouviu uma risadinha de Sri que só tinha experimentado essa sensação em simuladores. Seus foguetes agora mudos no espaço se esforçavam para fazer valer cada grama de hidrogênio. “Gibson, você devia ver isso” Sri estava encantada com a vista da Terra e subitamente soube o que estava querendo proteger toda sua vida. Passaram em pouco tempo pela Lua, vejo de relance a enorme base ali construída. Jurava que viu um aceno de uma das janelas, mas podia ser sua imaginação. Agora era esperar.
O computador da nave apitou e iniciou o giro de 180º. Era hora de desacelerar. “Duas horas?” Bill apenas pensou “Essa merda de pedra está muito mais perto do que aqueles merdas me disseram! Merda!” Era a vez de Bill ver a bolota azul. Maureen não estava ali. Foi garantido a ele que ela estaria na Atrahasis, a nave salva-vidas. Enquanto os idiotas olhavam para a Lua, debaixo do nariz deles tinha sido lançada a iniciativa para salvaguardar a vida na Terra. O computador apitou de novo, mais duas horas tinham ido. A pedra tomava toda a visão direta da nave e era hora de pousar. Não adiantavam todos aqueles quilos de plutônio sem a bomba preparada e detonada do jeito certo. Ele tinha de pousar de preferencia numa cratera na parte mais cavada da rocha e daí Sri adaptaria os cálculos e bang! O que podia dar errado?
Iniciou o protocolo de pouso manual e esperou o comando de retorno. Aquele aperto no peito de novo. Ele não podia fazer isso sem a ajuda deles, abaixou para pegar a foto e, com muito esforço sentiu o papel fotográfico entre os dedos da luva, estava puxando a mão devagar e ia endireitar o corpo quando a vaca foi pro brejo.
“O que diabos voc….” Toc. Ele achou ter ouvido um toc, mas pode ter sido mais uma sensação. O susto derrubou a foto e, provavelmente o sacolejo na nave ajudou. Sorte que eles tinham trajes selados para descer no planeta. Sorte. “Sri prepare para pouso, que susto hein Sri?” Riu Bill. Sri não teve a chance de ver seu riso. Glóbulos vermelhos pairavam na cabine e tingiam os lugares onde tocavam. Bill evitou que tocassem no painel enquanto olhava para trás e via incrédulo um furo no encosto onde sua cabeça deveria estar. A de Ramanujan estava, do outro lado e agora ele via um túnel onde o ímpar cérebro da moça deveria estar. Um pequeno meteorito deveria estar acompanhando o asteroide e numa velocidade de milhares de quilômetros por hora resolveu dar um oi, sendo pior que uma bala. Sorte? Merda…
Primeiro era pousar e isso ele fazia com a precisão de um, bem, um piloto de jatos da marinha. Nada era mais preciso. Colocou a aeronave num buraco escuro do asteroide e pediu orientações. Demorou mais do que ele queria. As informações vinham cortadas pelo lado que ele tinha pousado ser contrário ao da Terra. Três horas para o impacto.
Começou a passar os dados entre os computadores e rodou os cálculos. Ele não tinha hábito, foi treinado, mas não tinha hábito. Duas horas para o impacto.
Preparou o código de lançamento, a Lua estava enorme e bem a sua esquerda. Faltava apenas o botão enter. Uma hora para o impacto.
Seu dedo de luva roçava o botão que ainda brilhava como novo. esperava o comando da missão se decidir. Quando o canal abria ele ouvia gritos e discussões. Eclipse? Será que tinha mesmo ouvido isso? A mente de um homem o traí nesses momentos. Trinta minutos para o impacto.
Um clarão inundou sua visão a esquerda. O que era bem curioso pois o sol deveria estar atrás da Terra em sua maior parte. Eclipse. A explicação vinha ritmada em seus ouvidos. Iason Galatas, o diretor geral da EDF tinha pegado o fone e dizia “Coronel Gibson, obrigado pelos seus serviços e é uma pena o que aconteceu com sua colega. Estamos deflagrando nosso plano de reserva: a Operação Eclipse. Nossa base lunar consiste principalmente de usinas geradoras de energia e propulsores. Vamos deslocar a lua e usá-la como a bola branca do bilhar. Acertamos Shiva e com um pouco de sorte afastamos ele mudando o mínimo possível a órbita lunar. Como agradecimento mandamos para sua nave um vídeo de despedida de sua esposa.” Vinte minutos para o impacto.
“Bill, meu amor, estamos mais do que bem. As pessoas aqui na nave estão nos tratando perfeitamente e as crianças já fizeram novos amigos. A depender do que aconteça ou voltamos para a Terra ou vamos para Elísio. Dizem que Marte está linda essa época do ano” Ela não conteve um sorriso, um que era o que iluminava suas manhãs mas também tinha uma parte de tristeza que o deixava mais doce. “Eu te amo e sempre te amarei. De sua Desdêmona para o meu Iago” Iago?? Não! Eles não teriam a coragem, mas por outro lado não era justamente por esse medo que tinham combinado o código? Se ela terminasse o chamando de Othelo estaria tudo bem, mas Iago era o sinal da traição. Malditos! Eles devem ter posto os ricos e políticos naquela bosta de nave e deixado os mortais para se lascar. Agora era uma questão de apagar o que tinham feito se o plano desse certo. Será que acabariam com todos que sabiam da Atrahasis? O fato de terem usado dinheiro mundial ao invés do seu próprio para proteger seus rabos brancos era motivo suficiente para matar um ou dois ou duzentos. Merda, ele não podia fazer muito, apenas um jeito de jogar tudo no ventilador e talvez, apenas talvez eles terem mais problemas para se preocupar e deixar sua família em paz. Cinco minutos para o impacto.
A Lua era sua rota agora. Os foguetes funcionaram e o contato seria uma tacada perfeita. O dedo pairava no botão. 30 trilhões de megatons, era suficiente, ele lembrava de Sri dizendo, “podíamos até explodir a Lua!” Bom Sri, vamos ver se você estava certa. Um minuto para o impacto.
Atacama, no observatório muitos amadores do lado de fora e profissionais do lado de dentro se surpreenderam ao ver a lua esconder o asteroide. O clarão vinha do lado escuro e os informes oficiais mencionavam que a explosão tinha sido um sucesso. As pessoas relaxavam e comemoravam até o segundo clarão vir. A Lua não era mais.
Então o inferno correu solto.

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Welcome to your campaign!
A blog for your campaign

Wondering how to get started? Here are a few tips:

1. Invite your players

Invite them with either their email address or their Obsidian Portal username.

2. Edit your home page

Make a few changes to the home page and give people an idea of what your campaign is about. That will let people know you’re serious and not just playing with the system.

3. Choose a theme

If you want to set a specific mood for your campaign, we have several backgrounds to choose from. Accentuate it by creating a top banner image.

4. Create some NPCs

Characters form the core of every campaign, so take a few minutes to list out the major NPCs in your campaign.

A quick tip: The “+” icon in the top right of every section is how to add a new item, whether it’s a new character or adventure log post, or anything else.

5. Write your first Adventure Log post

The adventure log is where you list the sessions and adventures your party has been on, but for now, we suggest doing a very light “story so far” post. Just give a brief overview of what the party has done up to this point. After each future session, create a new post detailing that night’s adventures.

One final tip: Don’t stress about making your Obsidian Portal campaign look perfect. Instead, just make it work for you and your group. If everyone is having fun, then you’re using Obsidian Portal exactly as it was designed, even if your adventure log isn’t always up to date or your characters don’t all have portrait pictures.

That’s it! The rest is up to your and your players.

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